Lembro-me de ser criança e de ao questionar certos acontecimentos me ser vendido que havia coisas que eu só compreenderia mais tarde, alegadamente quando fosse adulto. Eram acontecimentos tão banais quanto o fazer a cama todos os dias, ou tão complexos como o casamento ser presidido por um padre que nem sequer podia ter namoradas.
Eu nunca fui rebelde, sempre fui muito afável e correcto e ao longo dos anos desempenhei o papel que se esperava.
Sinto que criei uma sensação de que Eles (os adultos) sabiam, de que Eles controlavam a situação e de que o Mundo era um local seguro porque Eles tinham todo um conjunto de costumes e hábitos que os tornava especiais.
E depois tornei-me adulto.
Uma das maiores descobertas que fiz foi descobrir que Eles (onde eu agora me incluo) sabem muito pouco sobre o Mundo. Todos esses costumes e pressupostos são apenas uma ilusão que permite uma vivência confortável e estável. Toda a sensação que me venderam foi simplesmente uma forma de nnão arriscar.
Felizmente eu tive uma Mãe e um Pai que me permitiram enfrentar essa ilusão e pôr-me à prova. Permitiram-me essa loucura e com um grande sacrifício emocional.
Aos 20 anos fui viver com mais 3 amigos para uma casa de estudantes. Muitas pessoas não compreenderam. Eu não tinha necessidade de sair de casa e perder todo a comodidade de estar com os meus Pais. Eu estudava na mesma cidade deles. Houve quem achasse que eu não me dava bem com os meus Pais (não podiam estar mais enganados).
A verdade é que eu sempre tive uma grande necessidade de descobrir realmente o que custava não ter a rede dos nossos pais para nos suportar no dia-a-dia.
Mais tarde fui para Erasmus e depois fui para o Chile viajar sozinho de mochila às costas. Duas experiências que me ensinaram quem eu sou.
Uma das grandes aprendizagens que aplico na minha vida é a capacidade de ser eu próprio sem me tornar autista para a sociedade. É engraçado que uma das frases que as crianças e os jovens mais escrevem uns para os outros no final dos campos de férias é: Nunca deixes de ser tu próprio. Infelizmente quando olho no meu dia-a-dia sinto que a maior parte de nós se deixou esmagar pela sociedade e enfiou o eu próprio numa qualquer gaveta escondida.
Eu próprio
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Vamos Causar Cenas Bonitas
O meu primeiro Post desta nova era deste Blog foi sobre a realização de um Musical inesperado no meio da praça de restauração de um Centro Comercial.
Ver esse filme foi uma inspiração. Quantas vezes não tinha já eu imaginado aquilo a acontecer num dia real.
Link puxa link e descobri o Improv Everywhere. Depois de muito conversar com malta porreira decidi avançar com um projecto de criar um grupo marado em Lisboa que fizesse cenas maradas ao estilo dos Improv Everywhere.
A primeira Cena que vamos Causar será um Mega Freeze em Lisboa. Desafio-vos a juntarem-se. Todos A Marar
Acredito que é possível juntar 100 pessoas para realizar esta primeira missão.
Vou precisar de ajuda.
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Labels: Marar
O Mundo ou o EU
Para quem conhece o TED Talks sabe que é uma fonte de inspiração sustentada. Os temas abordados são sempre fascinantes e apresentados por pessoas que os sustentam com muito trabalho e muito suor.
O nosso cérebro é um mistério que nos fascina diariamente. Fica a partilha de uma neurologista que teve uma trombose.
Fascinante
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Pangea Day
Depois da nossa viagem pela Ilha do Príncipe, um paraíso do instinto humano, eu e a Carla decidmos criar uma empresa. Seria um movimento com o objectivo de trazer um pouco de loucura saudável à vida das pessoas. Nasceu a Marar.
Ontem em mais uma das conversas como Lapão, esse filósofo dos tempos modernos, decidimos juntar-nos a um dos movimentos que a 10 de Maio espera que provocar uma onda de mudança no nosso grande continente Pangea.
Assim vamos organizar um evento Pangea Day, no dia 10 de Maio.
Como é ver o mundo pelos olhos dos outros.
É um desafio enorme, mas tão simples de entender. Não deveriam haver razões para o ódio.
Em breve anunciarei aqui mais detalhes sobre o evento.
Espero ver-vos lá
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Labels: Amor
Atrás da Cortina
Ouve-se muitas vezes a piada sobre o miúdo que achava que o fiambre vinha do pacote de plástico, desconhecendo a sua associação com o porco.
Eu nunca conheci nenhum miúdo que dissesse isto. E se conhecesse não achava assim tão grave. Desde que nasci, em Lisboa, que a morte do animal que estava a comer foi posta atrás da cortina. Penso que assim se passa com maior parte das famílias urbanas. Come-se carne de animais (nos quais incluo os peixes) e rapidamente fazemos juízos de piedade. Coitadinho das vacas e dos frangos. A verdade é que sempre que comemos raramente pensamos sobre a origem dessa comida, sobre o acto de morte que foi preciso executar.
Assim na minha ignorância citadina decidi esta Páscoa assistir à morte do Galo que serviu para fazer Arroz Pica no Chão, parente muito chegado do Arroz de Cabidela.Não foi a primeira vez que vi matar um animal que mais tarde comi, mas ajudou a aproximar-me de uma realidade que é demasiado fácil de colocar atrás da cortina das ilusões vendidas.
A primeira e única vez que matei, com a verdadeira sensação de matar, para comer foi na Ilha do Príncipe. Fui com um grupo de locais, durante uma noite, apanhar caranguejos de terra. Foi um espectáculo sangrento, para os caranguejos. Também eu empunhei uma catana e destrui carapaças e miolos. Foi uma noite inesquecível. O jantar no dia seguinte também.
É interessante como há quem se esforce tanto por se aproximar da Mãe Natureza, deixando de comer outros animais, afastando-se para isso da natureza humana.
É, também interessante, como banalizámos totalmente a morte dos animais que comemos.
Desconheço o significado disto e a sua profundidade, mas não podia deixar de partilhar a sensação que vivi esta Páscoa com a morte do Galo.
Para os interessados o arroz estava divinal.
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